Maria Matos Teatro Municipal
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seminário internacional :: Manifesto & Manifestações

inscrições até 18 janeiro
Sala Principal com bancada
DEBATE E PENSAMENTO
sexta 20 janeiro e sábado 21 janeiro 2012
Antonio Negri, Bruno Monteiro, Raúl Sánchez Cedillo, Judith Revel, António Guerreiro, Tomás Herreros, Miguel Cardoso, Paulo Raposo, Gui Castro Felga, Javier Toret, Ricardo Noronha

Organização Maria Matos Teatro Municipal e Unipop

 


Entrada livre

Mediante inscrição prévia até 18 janeiro 2012 cursopcc@gmail.com

 


Um pouco por todo o mundo, no último ano e meio, têm vindo a multiplicar-se as movimentações sociais e os conflitos políticos: manifestações, ocupações, motins, acampadas e revoluções diversas nas suas motivações, formas e efeitos, tal como nas linguagens em que se produzem e exprimem. Não será certamente fácil descortinar um traço contínuo que percorra tamanha variedade. A primeira tentação é o recurso à “crise” como fator explicativo, uma certa ideia difusa de crise, imagem de um mundo que colapsa e se transfigura, mas um olhar mais próximo sobre cada um destes episódios facilmente descobre não uma mas sim múltiplas crises, inúmeros fragmentos de práticas sociais, de experiências políticas, de ideias e ideologias, que se afirmam e/ou rejeitam. Citando, inventando ou transformando conceitos, expressões e imagens com proveniências muito diversas, de antigas tradições populares a uma nova linguagem mediática e cibernética, de repertórios de contestação próprios dos movimentos sociais da modernidade aos termos dos mais recentes debates teóricos, os acontecimentos que hoje vivemos parecem dispensar uma espécie de metalinguagem que os descreva ou os interprete. É neste contexto que a Unipop e o Teatro Maria Matos organizam um seminário de debate sobre a relação entre a palavra e a política, tomando como ponto de partida a discussão sobre a natureza, os limites e as vantagens de uma das formas mais consagradas por que a palavra se faz política, a forma-manifesto, e como ponto de chegada os manifestos, discursos e palavras que têm sido elaborados nas revoltas e revoluções em curso. Para este efeito, reunimos um conjunto de ativistas, militantes e teóricos de diferentes proveniências.

sexta 20 janeiro 18h00 às 22h00

18h00 – Apresentação do seminário, pela Unipop

18h15 às 20h00 – O que é um manifesto? - Antonio Negri
Conferência em francês

Em Império, obra já apelidada de “manifesto comunista para o século XXI”, Antonio Negri e Michael Hardt, retomando a discussão de Louis Althusser sobre os pontos de contacto entre O Príncipe, de Maquiavel, e o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, ensaiam uma definição da forma-manifesto: “Nos nossos dias, um manifesto, um discurso político, deveria aspirar a preencher […] a função de um desejo imanente que organiza a multidão. Não há aqui, em última instância, nem determinismo nem utopia (como sucederia, respetivamente, com O Príncipe e com o Manifesto do Partido Comunista): trata-se antes de um contrapoder radical, ontologicamente assente não em qualquer ‘vazio para o futuro’, mas na atividade real da multidão, sua criação, sua produção e seu poder”. Nesta conversa com Antonio Negri pretende-se refletir sobre o papel do manifesto e a sua relação com a prática política, designadamente à luz das características do ciclo de revoltas do último ano e meio, por ele saudadas como levantamentos insuscetíveis de produzir novas lideranças.

Antonio Negri, filósofo italiano. Autor, entre outros, de Império, Multidão e Commonwealth, com Michael Hardt

20h30 às 22h00 - A política das palavras - Bruno Monteiro, Raúl Sánchez Cedillo e Judith Revel
Mesa de Comunicações em português, castelhano e francês

A construção de alternativas políticas tem implicado tentativas de rejeitar, reivindicar ou “ressignificar” determinadas palavras, num jogo que tanto se trava a nível de conceitos monumentais — como, por exemplo, democracia, liberdade ou terrorismo — como a nível de expressões mais particulares — como em “geração (à) rasca”. Estas possibilidades políticas das palavras têm sido, todavia, confrontadas com outras alternativas que frequentemente se fundamentam na crítica ao imperialismo da palavra na política, o qual tornaria esta última desavinda a uma ordem emocional particularmente acalentada, por exemplo, em projetos populistas ou em ações diretas.

Bruno Monteiro, sociólogo e investigador do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Raúl Sánchez Cedillo, licenciado em Filosofia. Tem trabalhado, desde 2000, em projetos de autoeducação, sobretudo no âmbito da Universidad Nómada, em Madrid.
Judith Revel, filósofa francesa. Tem trabalhado sobre o pensamento de Michel Foucault e publicado inúmeros livros e artigos em torno da relação entre a filosofia da linguagem e a literatura nos anos 50-60 e da passagem da biopolítica à subjetivação entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80.

sábado 21 janeiro 10h00 às 13h30

10h00 às 11h30 — Para um Dicionário das Revoltas Atuais — António Guerreiro, Tomás Herreros e Miguel Cardoso
Oficina em português e castelhano

Discussão a partir de um conjunto de manifestos, panfletos e textos reunidos num arquivo vivo do atual ciclo de revoltas e revoluções, procurando discernir pontos de contacto e de contraste entre as revoluções árabes, os protestos na Europa do Sul e nos Estados Unidos da América ou, ainda, os motins de Londres.

António Guerreiro, crítico no jornal Expresso, tradutor e ensaísta.
Tomás Herreros, professor de Ciência Política na Universidade Aberta da Catalunha. Membro da Universidad Nómada.
Miguel Cardoso, doutorando em Literatura Inglesa em Birkbeck College, University of London. Membro da Unipop.



11h45 às 13h30 — O Movimento dos Indignados — Balanço e Perspetivas — Paulo Raposo, Gui Castro Felga, Aitor Tinoco i Girona e Ricardo Noronha
Mesa-redonda em português e castelhano

Em Espanha, mas também em Portugal e um pouco por todo o mundo, de Israel aos Estados Unidos, os últimos meses viram emergir uma nova realidade no espaço político e social a que se tem chamado o movimento dos indignados. Este debate visa fazer um balanço dessa experiência e lançar perspetivas de futuro, reunindo-se para o efeito intervenientes nas lutas que têm decorrido em cidades ibéricas, do Porto a Barcelona, passando por Lisboa e Madrid.

Paulo Raposo, antropólogo, professor no Departamento de Antropologia do ISCTE.
Gui Castro Felga, arquiteta.
Aitor Tinoco i Girona, ativista do movimento Democracia real ya!, em Barcelona, e membro da Universidad Nómada. Substitui o Javier Toret, anteriormente anunciado.
Ricardo Noronha, investigador do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Membro da Unipop.

 


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Críticas e antecipações

Não existem críticas.

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Sinopse

Organização Maria Matos Teatro Municipal e Unipop

 


Entrada livre

Mediante inscrição prévia até 18 janeiro 2012 cursopcc@gmail.com

 


Um pouco por todo o mundo, no último ano e meio, têm vindo a multiplicar-se as movimentações sociais e os conflitos políticos: manifestações, ocupações, motins, acampadas e revoluções diversas nas suas motivações, formas e efeitos, tal como nas linguagens em que se produzem e exprimem. Não será certamente fácil descortinar um traço contínuo que percorra tamanha variedade. A primeira tentação é o recurso à “crise” como fator explicativo, uma certa ideia difusa de crise, imagem de um mundo que colapsa e se transfigura, mas um olhar mais próximo sobre cada um destes episódios facilmente descobre não uma mas sim múltiplas crises, inúmeros fragmentos de práticas sociais, de experiências políticas, de ideias e ideologias, que se afirmam e/ou rejeitam. Citando, inventando ou transformando conceitos, expressões e imagens com proveniências muito diversas, de antigas tradições populares a uma nova linguagem mediática e cibernética, de repertórios de contestação próprios dos movimentos sociais da modernidade aos termos dos mais recentes debates teóricos, os acontecimentos que hoje vivemos parecem dispensar uma espécie de metalinguagem que os descreva ou os interprete. É neste contexto que a Unipop e o Teatro Maria Matos organizam um seminário de debate sobre a relação entre a palavra e a política, tomando como ponto de partida a discussão sobre a natureza, os limites e as vantagens de uma das formas mais consagradas por que a palavra se faz política, a forma-manifesto, e como ponto de chegada os manifestos, discursos e palavras que têm sido elaborados nas revoltas e revoluções em curso. Para este efeito, reunimos um conjunto de ativistas, militantes e teóricos de diferentes proveniências.

sexta 20 janeiro 18h00 às 22h00

18h00 – Apresentação do seminário, pela Unipop

18h15 às 20h00 – O que é um manifesto? - Antonio Negri
Conferência em francês

Em Império, obra já apelidada de “manifesto comunista para o século XXI”, Antonio Negri e Michael Hardt, retomando a discussão de Louis Althusser sobre os pontos de contacto entre O Príncipe, de Maquiavel, e o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels, ensaiam uma definição da forma-manifesto: “Nos nossos dias, um manifesto, um discurso político, deveria aspirar a preencher […] a função de um desejo imanente que organiza a multidão. Não há aqui, em última instância, nem determinismo nem utopia (como sucederia, respetivamente, com O Príncipe e com o Manifesto do Partido Comunista): trata-se antes de um contrapoder radical, ontologicamente assente não em qualquer ‘vazio para o futuro’, mas na atividade real da multidão, sua criação, sua produção e seu poder”. Nesta conversa com Antonio Negri pretende-se refletir sobre o papel do manifesto e a sua relação com a prática política, designadamente à luz das características do ciclo de revoltas do último ano e meio, por ele saudadas como levantamentos insuscetíveis de produzir novas lideranças.

Antonio Negri, filósofo italiano. Autor, entre outros, de Império, Multidão e Commonwealth, com Michael Hardt

20h30 às 22h00 - A política das palavras - Bruno Monteiro, Raúl Sánchez Cedillo e Judith Revel
Mesa de Comunicações em português, castelhano e francês

A construção de alternativas políticas tem implicado tentativas de rejeitar, reivindicar ou “ressignificar” determinadas palavras, num jogo que tanto se trava a nível de conceitos monumentais — como, por exemplo, democracia, liberdade ou terrorismo — como a nível de expressões mais particulares — como em “geração (à) rasca”. Estas possibilidades políticas das palavras têm sido, todavia, confrontadas com outras alternativas que frequentemente se fundamentam na crítica ao imperialismo da palavra na política, o qual tornaria esta última desavinda a uma ordem emocional particularmente acalentada, por exemplo, em projetos populistas ou em ações diretas.

Bruno Monteiro, sociólogo e investigador do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Raúl Sánchez Cedillo, licenciado em Filosofia. Tem trabalhado, desde 2000, em projetos de autoeducação, sobretudo no âmbito da Universidad Nómada, em Madrid.
Judith Revel, filósofa francesa. Tem trabalhado sobre o pensamento de Michel Foucault e publicado inúmeros livros e artigos em torno da relação entre a filosofia da linguagem e a literatura nos anos 50-60 e da passagem da biopolítica à subjetivação entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80.

sábado 21 janeiro 10h00 às 13h30

10h00 às 11h30 — Para um Dicionário das Revoltas Atuais — António Guerreiro, Tomás Herreros e Miguel Cardoso
Oficina em português e castelhano

Discussão a partir de um conjunto de manifestos, panfletos e textos reunidos num arquivo vivo do atual ciclo de revoltas e revoluções, procurando discernir pontos de contacto e de contraste entre as revoluções árabes, os protestos na Europa do Sul e nos Estados Unidos da América ou, ainda, os motins de Londres.

António Guerreiro, crítico no jornal Expresso, tradutor e ensaísta.
Tomás Herreros, professor de Ciência Política na Universidade Aberta da Catalunha. Membro da Universidad Nómada.
Miguel Cardoso, doutorando em Literatura Inglesa em Birkbeck College, University of London. Membro da Unipop.



11h45 às 13h30 — O Movimento dos Indignados — Balanço e Perspetivas — Paulo Raposo, Gui Castro Felga, Aitor Tinoco i Girona e Ricardo Noronha
Mesa-redonda em português e castelhano

Em Espanha, mas também em Portugal e um pouco por todo o mundo, de Israel aos Estados Unidos, os últimos meses viram emergir uma nova realidade no espaço político e social a que se tem chamado o movimento dos indignados. Este debate visa fazer um balanço dessa experiência e lançar perspetivas de futuro, reunindo-se para o efeito intervenientes nas lutas que têm decorrido em cidades ibéricas, do Porto a Barcelona, passando por Lisboa e Madrid.

Paulo Raposo, antropólogo, professor no Departamento de Antropologia do ISCTE.
Gui Castro Felga, arquiteta.
Aitor Tinoco i Girona, ativista do movimento Democracia real ya!, em Barcelona, e membro da Universidad Nómada. Substitui o Javier Toret, anteriormente anunciado.
Ricardo Noronha, investigador do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Membro da Unipop.

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