Maria Matos Teatro Municipal
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Gender Trouble

PERFORMANCE, PERFORMATIVIDADE E POLÍTICA DE GÉNERO
DEBATE E PENSAMENTO
5 maio a 24 junho 2015

GENDER TROUBLE CALENDÁRIO
performance, performatividade e política de género
5 maio a 24 junho
 
5 maio 18h30
Conferência de GIULIA LAMONI / FRANCESCA RAYNER
 
12 maio 18h30
Conferência de ANA GABRIELA MACEDO / JOÃO FLORÊNCIO
 
14 maio 21h30
CECILIA BENGOLEA & FRANÇOIS CHAIGNAUD altered natives’ Say Yes To Another Excess TWERK
 
16 e 17 maio 10h às 13h
LANDER PATRICK Oficina Cascas d’OvO
 
19 maio 18h30
Conferência de SHAHD WADI / CARLOS MOTTA
 
21 maio 21h30
LANDER PATRICK Cascas d’OvO
 
23 maio 21h30
PERE FAURA Striptease e Bomberos con grandes mangueras
 
24 maio 15h às 20h30
VÍDEO & GÉNERO
 
26 maio 18h30
Conferência de ANN PELLEGRINI
 
30 maio 11h às 17h
M EN CONFLICTO Drag King
 
30 e 31 maio 11h30 às 13h30 e 15h30 às 17h30
ROSANA CADE Walking:Holding
 
31 maio 21h30
VERA MANTERO uma misteriosa Coisa, disse o e.e.cummings / MARIANA TENGNER BARROS Après le Bain
 
2 junho 18h30
Conferência de JUDITH BUTLER
 
6 e 7 junho 11h às 17h
AKELARRE CYBORG The body as a sound post-gender instrument
 
6 e 7 junho 21h30
METTE INGVARTSEN 69 Positions
 
18 a 24 junho (exceto 22) 21h30
KARNART Hermaphrodita
 
18 junho 23h30
Bender-mente no LuxFrágil
 


Vinte e cinco anos após a sua publicação, em 1990, o livro Gender Trouble. Feminism and the Subversion of Identity da filósofa Judith Butler continua a marcar não só a investigação académica, e os movimentos feministas e LGBTQI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trangénero, Queer e Intersexo), como também a criação artística. Gender Trouble reconfigura o pensamento e as formas de ação em torno do género e das sexualidades, revolucionando os Estudos de Género, os feminismos contemporâneos, os Estudos de Performance e o desenvolvimento da teoria queer, pelo reposicionamento conceptual do género como performatividade. Butler afirma que o género não é uma categoria ontológica, mas que “se faz”, que “se constrói”, que é, em última análise, performance. Significa isto que o género não exprime uma “verdade” interior, sendo antes o resultado de um conjunto de atos e gestos reiterados, cuja cristalização confere uma aparência de um núcleo interno, de substância.
 
Butler parte da análise de performances drag, e da imitação de género aí em jogo, para pensar as performances de género, sugerindo que qualquer processo de assunção de uma identidade de género implica uma imitação de gestos em que não há original que possa ser imitado. Daí que a autora acrescente que, além de performática, existe uma dimensão paródica nos processos de aquisição de expressões de género.
 
Ao definir o género como performatividade, Butler mina a distinção entre género e sexo, afirmando que o próprio corpo é já uma construção cultural, na medida em que os discursos sobre o corpo, a sexualidade e o género definem o que é considerado corpo, os seus limites e o seu significado. Com este conceito, Butler questiona as normas institucionais, legais e culturais que estabelecem uma coerência discursiva entre sexo, género e desejo. Por outras palavras, Butler desafia o pressuposto de que existe uma correspondência entre um sexo específico, uma determinada identidade de género e um desejo pelo “sexo oposto”. Segundo a filósofa, essa coerência não é mais do que uma ficção, disfarçada de lei natural, criada no quadro de uma heterossexualidade hegemónica que legitima e aprova a heterossexualidade através da desaprovação da homossexualidade.
A forma de resistir às normas de género faz-se por via de performances subversivas de género, que desestabilizam esta equação sexo/género/desejo; por exemplo, performances em que o sexo e o género não correspondam ou em que a hegemonia da heterossexualidade é contestada. Através das performances podemos observar como os géneros são produzidos e reconhecidos como corpos e, em simultâneo, perceber o modo como artistas criticam a criação de corpos dóceis e a ficção do binarismo hegemónico de género. Assim, o Teatro surge como um espaço privilegiado para observar e debater a performatividade de género mas também para experimentar performances subversivas de género, algo que esperemos que seja proporcionado pelo leque diversificado de debates, espetáculos, intervenções artísticas eworkshops incluídos neste ciclo dedicado aos 25 anos de Gender Trouble.

Salomé Coelho

curadoria: Salomé Coelho e Mark Deputter
com Andreia Cunha, Laura Lopes e Sezen Tonguz


Gender Trouble é um projeto House on Fire com o apoio do Programa Cultura da União Europeia
 

Biografias

Fotos

Vídeo

Críticas e antecipações

Não existem críticas.

Comentários

Sinopse

GENDER TROUBLE CALENDÁRIO
performance, performatividade e política de género
5 maio a 24 junho
 
5 maio 18h30
Conferência de GIULIA LAMONI / FRANCESCA RAYNER
 
12 maio 18h30
Conferência de ANA GABRIELA MACEDO / JOÃO FLORÊNCIO
 
14 maio 21h30
CECILIA BENGOLEA & FRANÇOIS CHAIGNAUD altered natives’ Say Yes To Another Excess TWERK
 
16 e 17 maio 10h às 13h
LANDER PATRICK Oficina Cascas d’OvO
 
19 maio 18h30
Conferência de SHAHD WADI / CARLOS MOTTA
 
21 maio 21h30
LANDER PATRICK Cascas d’OvO
 
23 maio 21h30
PERE FAURA Striptease e Bomberos con grandes mangueras
 
24 maio 15h às 20h30
VÍDEO & GÉNERO
 
26 maio 18h30
Conferência de ANN PELLEGRINI
 
30 maio 11h às 17h
M EN CONFLICTO Drag King
 
30 e 31 maio 11h30 às 13h30 e 15h30 às 17h30
ROSANA CADE Walking:Holding
 
31 maio 21h30
VERA MANTERO uma misteriosa Coisa, disse o e.e.cummings / MARIANA TENGNER BARROS Après le Bain
 
2 junho 18h30
Conferência de JUDITH BUTLER
 
6 e 7 junho 11h às 17h
AKELARRE CYBORG The body as a sound post-gender instrument
 
6 e 7 junho 21h30
METTE INGVARTSEN 69 Positions
 
18 a 24 junho (exceto 22) 21h30
KARNART Hermaphrodita
 
18 junho 23h30
Bender-mente no LuxFrágil
 


Vinte e cinco anos após a sua publicação, em 1990, o livro Gender Trouble. Feminism and the Subversion of Identity da filósofa Judith Butler continua a marcar não só a investigação académica, e os movimentos feministas e LGBTQI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trangénero, Queer e Intersexo), como também a criação artística. Gender Trouble reconfigura o pensamento e as formas de ação em torno do género e das sexualidades, revolucionando os Estudos de Género, os feminismos contemporâneos, os Estudos de Performance e o desenvolvimento da teoria queer, pelo reposicionamento conceptual do género como performatividade. Butler afirma que o género não é uma categoria ontológica, mas que “se faz”, que “se constrói”, que é, em última análise, performance. Significa isto que o género não exprime uma “verdade” interior, sendo antes o resultado de um conjunto de atos e gestos reiterados, cuja cristalização confere uma aparência de um núcleo interno, de substância.
 
Butler parte da análise de performances drag, e da imitação de género aí em jogo, para pensar as performances de género, sugerindo que qualquer processo de assunção de uma identidade de género implica uma imitação de gestos em que não há original que possa ser imitado. Daí que a autora acrescente que, além de performática, existe uma dimensão paródica nos processos de aquisição de expressões de género.
 
Ao definir o género como performatividade, Butler mina a distinção entre género e sexo, afirmando que o próprio corpo é já uma construção cultural, na medida em que os discursos sobre o corpo, a sexualidade e o género definem o que é considerado corpo, os seus limites e o seu significado. Com este conceito, Butler questiona as normas institucionais, legais e culturais que estabelecem uma coerência discursiva entre sexo, género e desejo. Por outras palavras, Butler desafia o pressuposto de que existe uma correspondência entre um sexo específico, uma determinada identidade de género e um desejo pelo “sexo oposto”. Segundo a filósofa, essa coerência não é mais do que uma ficção, disfarçada de lei natural, criada no quadro de uma heterossexualidade hegemónica que legitima e aprova a heterossexualidade através da desaprovação da homossexualidade.
A forma de resistir às normas de género faz-se por via de performances subversivas de género, que desestabilizam esta equação sexo/género/desejo; por exemplo, performances em que o sexo e o género não correspondam ou em que a hegemonia da heterossexualidade é contestada. Através das performances podemos observar como os géneros são produzidos e reconhecidos como corpos e, em simultâneo, perceber o modo como artistas criticam a criação de corpos dóceis e a ficção do binarismo hegemónico de género. Assim, o Teatro surge como um espaço privilegiado para observar e debater a performatividade de género mas também para experimentar performances subversivas de género, algo que esperemos que seja proporcionado pelo leque diversificado de debates, espetáculos, intervenções artísticas eworkshops incluídos neste ciclo dedicado aos 25 anos de Gender Trouble.

Salomé Coelho

curadoria: Salomé Coelho e Mark Deputter
com Andreia Cunha, Laura Lopes e Sezen Tonguz

Críticas e antecipações

Não existem críticas.

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