Maria Matos Teatro Municipal
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Resistência Política Ameríndia

FELIPE MILANEZ E RAUL LLASAG FERNANDEZ
Sala Principal com bancada
DEBATE E PENSAMENTO
27 maio 2017 → sábado: 17h

Contrariamente ao que foi anunciado, José Bengoa não poderá viajar para Lisboa para participar nesta mesa-redonda

A história do colonialismo na América Central e do Sul mostra que os processos políticos e religiosos que foram aí instalados provocaram o desaparecimento de milhões de pessoas através da introdução de doenças e do exercício da violência. Décadas depois da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e de um extenso debate na área dos estudos pós-coloniais para a consciencialização dessa época da história, continua a ser necessário a mobilização em defesa de um sistema que, legalmente e na prática, seja capaz de assegurar o direito dos povos indígenas. Poderão os movimentos políticos que se organizam em torno destas comunidades permitir-nos um olhar renovado para as políticas e práticas sociais, económicas e ambientais que têm dominado as culturas europeias? Neste debate, parte-se da relação viva com a Mãe-Terra presente nas culturas indígenas para interrogar uma economia e uma gestão do território baseada na exploração dos recursos naturais.

moderação: Liliana Coutinho

O ciclo Questões indígenas: Ecologia, Terra e Saberes Ameríndios é uma apresentação no âmbito da rede Imagine 2020 com o apoio do Programa Europa Criativa da União Europeia



Passado e Presente - Um programa Lisboa Capital Ibero-Americana da Cultura 2017

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(sujeita à lotação) mediante levantamento de bilhete no próprio dia a partir das 15h • em espanhol e português • duração: 2h  streaming acessível através do Facebook do Teatro Maria Matos a partir das 17h

Biografias

Felipe Milanez (Brasil) é ecologista político, doutor em sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, professor adjunto de “descolonização do conhecimento: universidade, sociedade e ambiente” e investigador do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), investigador associado do Centro de Estudos Sociais/Universidade de Coimbra e membro da Rede Europeia de Ecologia Política (Entitle). É organizador do livro Memórias Sertanistas: Cem Anos de Indigenismo no Brasil (2015) e diretor do documentário Toxic Amazon. Foi editor da revista National Geographic Brasil e da revista BrasilIndigena, da Funai, e nomeado Herói da Floresta pela ONU, no âmbito do ano internacional das florestas, em 2011. As suas pesquisas actuais focam-se nas dinâmicas de (pós)desenvolvimentos, conflitos ecológicos, usos e representações de violências contra pessoas e ambientes, ecologias descoloniais, pós-capitalistas e os comuns.

José Bengoa (Chile) é licenciado em Filosofia, Professor da Escola de Antropologia da Universidade de Humanismo Cristão e ex-Reitor da mesma instituição. Foi Professor da Universidade do Chile até 1973, ano em que foi exonerado. Foi professor convidado da Universidade de Paris (Cátedra Pablo Neruda), Univ. de Leiden, na Holanda (Cátedra Andrés Bello), Univ. Complutense de Madrid, Univ. de Indiana, em Bloomington (USA), Univ. de Cambridge, em Inglaterra, entre outras. Os seus livros tratam de temas indígenas e culturais, entre eles, a Historia del pueblo Mapuche, Historia de los antiguos mapuches del sur, Mapuche, colonos y estado nacional, La emergencia indígena en América Latina, e no ámbito da cultura, Trilogía del Bicentenario, composta por La comunidad perdida, La comunidad reclamada e La comunidad fragmentada. Durante vinte anos foi consultor independente da Subcomissão de prevenção de Discriminações e Proteção de Minorias, da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, participando em diversas comissões e relatórios, em particular no grupo de trabalho da Minorias e Foro Social. Recebeu, entre outras distinções, a Bolsa Guggenheim, o Prémio Altazor de Ensaio e, em duas ocasiões, o Prémio Municipal de Literatura de Santiago do Chile, o mais antigo do país.

Raúl Llasag Fernández nasceu no dia 25 de dezembro de 1966, na comunidade andina kichwa “Cobos”, que faz parte do povo Panzaleo, nacionalidade Kichwa, situada no centro do Equador, província de Cotopaxi. Filho de Eusebio Llasag e Esperanza Fernández, ambos kichwas e líderes comunitários. Recebe então uma formação na quotidianidade da vida, em relação permanente com os elementos da natureza: terra, vento, luz e energia cósmica. Aos sete anos inicia a sua educação formal e de castelhano, educação que até essa época tinha sido negada aos indígenas. Os seus estudos prosseguem sem nunca se desligar e deixar de fortalecer a sua relação com a vida comunitária. Não tendo recursos económicos para entrar na universidade, migra do campo para a cidade onde trabalha na construção civil. Com 20 anos entra em Direito, na Universidade Central do Equador. Torna-se voluntário do Departamento Jurídico do Centro Hospedería Campesina la Tola, na cidade de Quito, que servia também de residência para pessoas indígenas que migravam do campo para a cidade. Contacta então com vários dirigentes das comunidades de Cotopaxi, Chimborazo, Imbabura e Pichincha, passando da ajuda a resolver problemas relacionados com o pagamento de salários, ao apoio para resolver problemas territoriais, da água, conflitos internos das comunidades, entre outros. Nesta experiencia de conflitos comunitários, compreende que os problemas não se resolvem somente a partir da lei, do direito e do Estado institucional, por isso, vai deixando de ser advogado (no sentido legalista), para passar a ver os conflitos na sua integralidade. Retoma então o que aprendeu em criança com os seus país, a resolver problemas sem recorrer às instituições do Estado e dá um impulso ao tema que agora se conhece como o da Justiça Indígena e Autonomia Interna das Comunidades Indígenas, que empreende a constituição de governos comunitários, a recuperação de territórios e a educação política popular. Neste processo vincula-se a outras comunidades andinas e amazónicas das províncias de Napo, Orellana e Sucumbíos, chegando a ser Diretor do Departamento Jurídico da Organização de Povos Indígenas de Pastaza OPIP, entre 1994 e 1996.

Liga-se então à cúpula dirigente da CONAIE (Confederación de Nacionalidades Indígenas del Ecuador) e da ECUARUNARI (Confederación de Pueblos de la Nacionalidad Kichwa del Ecuador). Em 1997 é designado coordenador da equipa técnica da CONAIE para a preparação de novos textos constitucionais, para a Assembleia Constituinte de 1997-1998, na qual se reconhece pela primeira vez o quadro dos direitos dos povos indígenas. Dá então continuidade ao trabalho de fortalecimento dos governos comunitários. A partir daí, o seu trabalho amplia-se até à costa, com as comunidades de Santa Elena, os Chachis, os T´sáchilas e os afrodescendentes do Município de Santiago Cayapas, em Esmeraldas.

Entra então no Ministério da Justiça, onde trabalhou propostas de textos sobre os direitos das comunas, comunidades, povos e nacionalidades indígenas, afro-equatorianos e montubios, para a Assembleia Constituinte de 2007-2008. Estes textos foram introduzidos na Constituição de 2008, no Tribunal Contencioso Eleitoral e na Corte Constitucional. Esta veiculação à função pública não significou o abandono das comunidades indígenas.

Em 2008 torna-se Mestre em Direito Constitucional pela Universidade Andina Simón Bolívar e, a partir de 2009, liga-se à mesma universidade como docente dos temas da Justiça Indígena, Direitos Culturais, Plurinacionalidade e Interculturalidade. Em 2016, entra como docente titular na Universidade Central. É professor convidado do Instituto de Altos Estudos Nacionais, da Universidade de Pós-graduações do Estado. Os seus trabalhos de investigação, sobre os quais tem publicado artigos e proferido várias conferências, têm estado vinculados aos temas dos direitos dos povos indígena, da justiça indígena, sumak kawsay, da interculturalidade e da plurinacionalidade. Em 2010, participa na investigação sobre Justiça Indígena e Plurinacionalidade em Equador e Bolívia, dirigida por Boaventura de Sousa Santos, no âmbito do projeto ALICE – Strange Mirrors, Unsuspected Lessons: Leading Europe to a new way of sharing the world experiences. Chegou ao programa doutoral do CES (Universidade de Coimbra), e a sua tese, denominada Constitucionalismo plurinacional e intercultural a partir dos sistemas de vida de los povos indígenas encontra-se concluída.

É docente, investigador e apoia as comunidades indígenas andinas e da Amazónia no processo de fortalecimento de autonomias internas, recuperação de saberes e, a partir daí, da construção do poder cidadão.


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Sinopse

Contrariamente ao que foi anunciado, José Bengoa não poderá viajar para Lisboa para participar nesta mesa-redonda

A história do colonialismo na América Central e do Sul mostra que os processos políticos e religiosos que foram aí instalados provocaram o desaparecimento de milhões de pessoas através da introdução de doenças e do exercício da violência. Décadas depois da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e de um extenso debate na área dos estudos pós-coloniais para a consciencialização dessa época da história, continua a ser necessário a mobilização em defesa de um sistema que, legalmente e na prática, seja capaz de assegurar o direito dos povos indígenas. Poderão os movimentos políticos que se organizam em torno destas comunidades permitir-nos um olhar renovado para as políticas e práticas sociais, económicas e ambientais que têm dominado as culturas europeias? Neste debate, parte-se da relação viva com a Mãe-Terra presente nas culturas indígenas para interrogar uma economia e uma gestão do território baseada na exploração dos recursos naturais.

moderação: Liliana Coutinho

Críticas e antecipações

Não existem críticas.

Preço

(sujeita à lotação) mediante levantamento de bilhete no próprio dia a partir das 15h • em espanhol e português • duração: 2h  streaming acessível através do Facebook do Teatro Maria Matos a partir das 17h

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