Maria Matos Teatro Municipal
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Assembleia

RUI CATALÃO
Sala principal com bancada
TEATRO
24 a 26 fevereiro 2017 → sexta a sábado: 21h30 / domingo: 18h30

O Pedro e a Solange têm nove anos de diferença a separá-los. Ambos vivem no arquipélago de Marvila, mas cada um na sua ilha: Solange no bairro dos Alfinetes, e Pedro no bairro do Armador. 
Quando os conheci eram Nem-Nem, o termo que agora se usa para quem não está a estudar nem a trabalhar (em Portugal são já 300 mil). Os lisboetas que os observarem de fora dirão: “São de Chelas”, mas eles acreditam que vivem em realidades distintas, com lógicas diferentes e uma vivência e identidade próprias. 
De facto, eles representam duas formas distintas de encarar o mundo, as relações, a própria forma de comunicar. Com exceção da língua portuguesa, só mais uma coisa parece aproximá-los: o fechamento em que decorrem os seus dias. 
No caso do Pedro esse fechamento é físico: a sua vida concentra-se em sua casa, nem sai para fazer compras e já houve um tempo em que, sem ninguém a condená-lo, viveu preso em casa. O computador é a sua janela para o exterior. 
A Solange tem uma vida mais ativa no bairro. Acredita, ao contrário do Pedro, que é possível mudar o que está mal, ir mais fundo, alterar o estado das coisas, mas no campo dos relacionamentos assume que é desconfiada e não consegue deixar de pensar naquilo que os outros pensam dela. O fantasma da mentira, do segredo, do não-dito, habita nela com mais vida do que aquilo que chega a ser comunicado. E mais ainda: o seu quarto é o seu cofre-forte, ninguém tem autorização para lá entrar sem a sua autorização!
 
Assembleia é uma experiência teatral em que os espectadores são deputados: têm o direito de usar a palavra. Esta Assembleia tem as suas particularidades: não se pode votar nem vetar, não se pode dizer sim nem não, e as opiniões, a existirem, não são dramatizadas. Ou seja: de pouco serve “tomar partido”! 
O que resta então para fazer nesta Assembleia?
Aceitando que qualquer assembleia é um espaço político (tem de haver uma escolha sobre os temas a apresentar – e escolher é dar importância, é estabelecer prioridades), 
que temas devem ser partilhados? Nesta Assembleia fazemos tábua rasa dos jogos políticos de outras assembleias, tentamos saltar por cima do que é considerado de “interesse público”, e antes alcançar o que afeta a nossa participação na vida pública. 
 
Temos por hábito encontrar uma razão para o nosso comportamento intuitivo, mas é-nos mais difícil encontrar um espaço para a razão, e depois libertar a intuição. Assembleia propõe aos seus espectadores-deputados a oportunidade de espreitarem o seu inconsciente, de intercetarem imagens e instantes que lhe estavam vedados, e, através dessas imagens, descobrirem até que ponto estão a ser condicionados por desejos e receios que não dominam. 
 
Foi a tentar perceber que coisas são essas, que afetam o nosso comportamento, e nos incapacitam para viver em público, que definimos esta Assembleia. Para responder a perguntas como estas, feitas pelos participantes nas reuniões preparatórias: “O que é que nos une?”; “Os pensamentos que tenho, pertencem-me, ou pertencem aos outros todos?”; “O medo que tenho é real, ou fui eu que o inventei?”; “Porque é que vivo obcecada pelo que os outros pensam de mim?”
 
Assembleia resulta de uma experiência teatral testada em vários bairros da freguesia de Marvila. De segunda a sexta, com a assistência de Luís Mucauro (intérprete das minhas duas últimas peças: “E agora nós!” e “Medo a Caminho”), trabalhei com o Pedro e Solange na Biblioteca Municipal de Marvila. Semanalmente, dirigi ainda sessões de trabalho, abertas à comunidade, nos bairros das Amendoeiras (associação de moradores do bairro das Amendoeiras), Armador (Espaço LxJovem), Loios (Centro de Desenvolvimento Comunitário dos Loios) e na já mencionada Biblioteca Municipal de Marvila. 
 
Rui Catalão


Ficha artística

autoria, formação e encenação: Rui Catalão
com: Solange Ferreira, Pedro Henriques, Rui Catalão, Luís Leonardo Mucauro
assistentes: Luís Leonardo Mucauro, Catarina Gonçalves
articulação com comunidade: Paulo Lage e Vânia Cerqueira
luzes: Cristóvão Cunha
filmagem/vídeo: Caroline Pimenta
fotografia cena: Patrícia Almeida
gestão: ORG.I.A – Organização, Investigação e Artes
parceria: Produções Independentes
coprodução: Maria Matos Teatro Municipal
apoio: Câmara Municipal de Lisboa, Pelouro dos Direitos Sociais e Casa dos Direitos Sociais
projeto financiado pela República Portuguesa|Cultura/Direção-Geral das Artes
foto: dados do mapa ©2016 Google, Digital Globe

Apresentado no âmbito da rede Create to Connect com o apoio do Programa Cultura da União Europeia 



Preçário

6€ a 12 ● M/6  duração: 60 min 


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Biografias

Rui Catalão – Formador e criador
Rui catalão (n. 1971) apresentou nos últimos seis anos uma série de solos autobiográficos: Dentro das palavras, Av. dos Bons Amigos, Canções i comentários, A Grande Dívida – ciclo de conferências e Trabalho Precário. Neles faz o retrato da vida privada da sua geração. As suas peças mais recentes são: Medo a caminho (Temps d’Images, Lisboa), E agora nós (Maria Matos) e Judite (Teatro Nacional D. Maria II, já este ano). Paralelamente, tem desenvolvido projectos pedagógicos, como Domados ou não e, mais recentemente, a oficina de teatro Agora, faz tu!, com incidência em métodos de trabalho, construção dramatúrgica, autonomia criativa e tomadas de decisão em tempo real. Escreveu também Ester para o programa de teatro juvenil Panos, da Culturgest. O seu trabalho ronda a fronteira entre o espaço privado e o espaço público, os temas da memória, da fragilidade, da manipulação e da transparência. Nos últimos 16 anos, trabalhou em peças de João Fiadeiro (estreou-se com O que eu sou não fui sozinho, em 2000), Miguel Pereira, Ana Borralho & João Galante, Manuel Pelmus, Mihaela Dancs, Madalina Dan, Edi Gabia e, mais recentemente, as revelações Sofia Dinger, Urândia Aragão e Elmano Sancho. Para cinema, escreveu os guiões de O capacete dourado e Morrer como um homem, participou como actor em A Cara que mereces, foi jornalista, crítico musical e de literatura no jornal Público e no Jornal de Sintra. Organizou e editou Anne Teresa De Keersmaeker em Lisboa e escreveu Ingredientes do Mundo Perfeito, sobre a obra teatral de Tiago Rodrigues. 
 
A sua experiência pedagógica iniciou-se em 2008, num workshop que dirigiu na Universidade de Cluj (Roménia) e outro no Centrul National al dansului, Bucareste. Em 2010, durante a preparação de Dentro das palavras, organizou sessões diárias de trabalho com crianças do ensino básico, inserido no programa educativo da Galeria ZDB. Em 2011 acompanhou seis grupos de artistas (inseridos na programação do Teatro Maria Matos), e dirigiu três workshops ao longo de três meses, cada um deles alusivos às etapas de construção de um trabalho; dirigiu os alunos do 2º ano de Dança da escola profissional Balleteatro, Porto, de que resultou a peça “Domados, ou não” (apresentada em Serralves em Festa 2011); inserido no Projecto EVA, promovido pelo Clube Português de Artes e Ideias, dirigiu os jovens do bairro social Terraços da Ponte no projecto “Quinta do Mocho”; escreveu a peça “Ester” para o programa Panos 2013 de teatro juvenil da Culturgest, e deu um workshop com os professores e encenadores dos doze grupos que encenaram o seu texto; em 2014 leccionou uma oficina de dramaturgia na Fundação Serralves; em 2015, dirigiu sete grupos de jovens, em cidades diferentes (Barreiro, Moita, Palmela, Montijo, Buenos Aires, Lisboa, outra vez Moita), na oficina de teatro AGORA, FAZ TU!
 
 
Luís Leonardo Pacheco Mucauro, Nascido a 15.05.1990 em Moçambique, província de Sofala, cidade da Beira. Cresci numa casa com imensa gente, desde primos tias e irmãos. Só de irmãos tenho uns 15… ou se calhar mais. Nasci e cresci em Moçambique e aos 17 anos mudei-me para Portugal com meu irmão e minha irmã gémea para vir morar com meu pai que já cá se encontrava há 6 anos. Fiz curso de Artes Visuais e Tecnologia, assim como de Turismo. Ingressei no mercado de trabalho aos 18 anos, onde passei por várias experiências diferentes que senti que me enriqueceram como pessoa. Estive durante três anos no Programa Escolhas onde trabalhei como Monitor de informática e atualmente faço parte de um grupo de teatro NTOPE.

Solange Ferreira nasceu em Lisboa, em 1995. É formada em Artes do Espetáculo- Teatro. Participou no espetáculo dirigido por Bruno Schiappa -"Espetáculo, uma maldição que me corre no sangue" e no musical infantil "A Princesa Segura " dirigido por Fernando Sousa. Foi locutora e roteirista do programa Conexão Jovem FM 107.7.
É cantora de gospel e colaboradora da comunidade Jazzportugal .

Pedro Santos
Vivo em Lisboa, nasci a 28 de Janeiro de 1987 no Bairro Alto e cresci em Chelas. Tenho o 12º Ano de escolaridade e um curso de Técnico de Multimédia. sou casado e não tenho filhos. Já participei em duas peças com a Santa Casa da Misericórdia:”Capitães de Rua”, uma adaptação do livro “Capitães de Areia” do Jorge Amado, e o “Feiticeiro de Oz”. Nos tempos livres gosto de ler, de ouvir música e de praticar desporto. Sou uma pessoa animada e bem-disposta. Gosto do contacto com pessoas e aprender todos os dias com a forma de ser e estar de cada um, cada dia que passa é uma lição. 

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Críticas e antecipações

Não existem críticas.

Comentários

Sinopse

O Pedro e a Solange têm nove anos de diferença a separá-los. Ambos vivem no arquipélago de Marvila, mas cada um na sua ilha: Solange no bairro dos Alfinetes, e Pedro no bairro do Armador. 
Quando os conheci eram Nem-Nem, o termo que agora se usa para quem não está a estudar nem a trabalhar (em Portugal são já 300 mil). Os lisboetas que os observarem de fora dirão: “São de Chelas”, mas eles acreditam que vivem em realidades distintas, com lógicas diferentes e uma vivência e identidade próprias. 
De facto, eles representam duas formas distintas de encarar o mundo, as relações, a própria forma de comunicar. Com exceção da língua portuguesa, só mais uma coisa parece aproximá-los: o fechamento em que decorrem os seus dias. 
No caso do Pedro esse fechamento é físico: a sua vida concentra-se em sua casa, nem sai para fazer compras e já houve um tempo em que, sem ninguém a condená-lo, viveu preso em casa. O computador é a sua janela para o exterior. 
A Solange tem uma vida mais ativa no bairro. Acredita, ao contrário do Pedro, que é possível mudar o que está mal, ir mais fundo, alterar o estado das coisas, mas no campo dos relacionamentos assume que é desconfiada e não consegue deixar de pensar naquilo que os outros pensam dela. O fantasma da mentira, do segredo, do não-dito, habita nela com mais vida do que aquilo que chega a ser comunicado. E mais ainda: o seu quarto é o seu cofre-forte, ninguém tem autorização para lá entrar sem a sua autorização!
 
Assembleia é uma experiência teatral em que os espectadores são deputados: têm o direito de usar a palavra. Esta Assembleia tem as suas particularidades: não se pode votar nem vetar, não se pode dizer sim nem não, e as opiniões, a existirem, não são dramatizadas. Ou seja: de pouco serve “tomar partido”! 
O que resta então para fazer nesta Assembleia?
Aceitando que qualquer assembleia é um espaço político (tem de haver uma escolha sobre os temas a apresentar – e escolher é dar importância, é estabelecer prioridades), 
que temas devem ser partilhados? Nesta Assembleia fazemos tábua rasa dos jogos políticos de outras assembleias, tentamos saltar por cima do que é considerado de “interesse público”, e antes alcançar o que afeta a nossa participação na vida pública. 
 
Temos por hábito encontrar uma razão para o nosso comportamento intuitivo, mas é-nos mais difícil encontrar um espaço para a razão, e depois libertar a intuição. Assembleia propõe aos seus espectadores-deputados a oportunidade de espreitarem o seu inconsciente, de intercetarem imagens e instantes que lhe estavam vedados, e, através dessas imagens, descobrirem até que ponto estão a ser condicionados por desejos e receios que não dominam. 
 
Foi a tentar perceber que coisas são essas, que afetam o nosso comportamento, e nos incapacitam para viver em público, que definimos esta Assembleia. Para responder a perguntas como estas, feitas pelos participantes nas reuniões preparatórias: “O que é que nos une?”; “Os pensamentos que tenho, pertencem-me, ou pertencem aos outros todos?”; “O medo que tenho é real, ou fui eu que o inventei?”; “Porque é que vivo obcecada pelo que os outros pensam de mim?”
 
Assembleia resulta de uma experiência teatral testada em vários bairros da freguesia de Marvila. De segunda a sexta, com a assistência de Luís Mucauro (intérprete das minhas duas últimas peças: “E agora nós!” e “Medo a Caminho”), trabalhei com o Pedro e Solange na Biblioteca Municipal de Marvila. Semanalmente, dirigi ainda sessões de trabalho, abertas à comunidade, nos bairros das Amendoeiras (associação de moradores do bairro das Amendoeiras), Armador (Espaço LxJovem), Loios (Centro de Desenvolvimento Comunitário dos Loios) e na já mencionada Biblioteca Municipal de Marvila. 
 
Rui Catalão

Críticas e antecipações

Não existem críticas.

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6€ a 12 ● M/6  duração: 60 min 


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