Maria Matos Teatro Municipal
 


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Mark Deputter

 
Mark Deputter

Nasceu na Bélgica em 1961. Depois de algumas visitas obrigatórias ao teatro no Secundário, pensou nunca mais voltar a pôr pé num teatro. Mas na Universidade descobriu o novo teatro e a nova dança que se começaram a manifestar na Bélgica no início dos anos 80: AT De Keersmaeker, Wooster Group, Jan Fabre, Maatschappij Discordia, os artistas que passavam pelos festivais Kaaitheater (Bruxelas) e Klapstuk (Lovaina). Depois de finalizar os seus estudos em Línguas e Literaturas Germânicas, fez uma pós-graduação em Dramaturgia e Teatro e tirou um bacharelado em Filosofia. Ficou durante dois anos ligado à Faculdade de Letras, participando na criação do primeiro Instituto de Estudos Teatrais do país. Ao mesmo tempo fez parte da redação da revista de teatro Etcetera, escrevendo regularmente ensaios e críticas de teatro e dança. 
Uma bolsa do Ministério de Educação e um prémio da Fundação Stichting Roeping abriram caminho para um doutoramento no Institut für Theaterwissenschaft da Universidade de Viena. A estadia em Viena, uma cidade desde sempre dada a um certo brilhantismo no mercado cultural, deu-lhe a possibilidade de ver o trabalho de quase todos os diretores de teatro consolidados da altura: Claus Peyman, Peter Zadek, Peter Brook, Luc Bondy, Ariane Mnouschkine, Tadeus Kantor, George Tabori, Jürgen Gosch... 
Em 1988, recebeu um convite para assumir a direção artística do STUC, um pequeno centro cultural independente ligado à Universidade de Lovaina. Nos oite anos em que ficou à frente do teatro, o STUC tornou-se um dos centros mais ativos e influentres da vanguarda teatral na Bélgica. Foi, por exemplo, o primeiro espaço a programar STAN, Forced Entertainment e Alain Platel. Perto do fim da sua passagem pelo STUC, conseguiu garantir as condições políticas e financeiras para a realização de um sonho de décadas: a construção de novas instalações. Mas nem presenciou o início das obras; era tempo de mudar.  
Em setembro de 1995, carregou os seus pertences no carro e mudou-se para Lisboa, onde começou por ajudar Mónica Lapa a organizar o quarto festival Danças na Cidade apresentando, entre outros, Jérôme Bel, Meg Stuart, Vera Mantero e Francisco Camacho. Alguns meses depois, recebeu um convite inesperado para integrar a equipa de programadores de Miguel Lobo Antunes no Centro Cultural de Belém, onde ficou responsável pela programação de dança até 2001. Mais tarde, uma outra passagem por um equipamento cultural de relevo de Lisboa teve um fim menos feliz. O desafio, lançado pela Companhia Nacional de Bailado, de transformar o Teatro Camões numa Casa da Dança, foi, depois de duas temporadas estimulantes, abortado pela decisão do Ministério da Cultura de fundir a CNB e a Ópera Nacional.   
Entretanto, as Danças na Cidade foram crescendo, dando lugar, em 2006 e 2008, aos primeiros festivais alkantara que ocuparam um lugar de relevo no mapa dos grandes festivais europeus. Para além dos festivais, organizou, ao longo dos anos, dezenas de encontros e projetos culturais internacionais em Portugal, África, Brasil e alguns países Europeus. Participou também em várias redes nacionais e internacionais: a REDE, IETM, Départs, APAP, Next Step, Dance Web e DBM-Danse Bassin Méditerranée. Escreveu sobre artes do espetáculo, políticas culturais e interculturalismo para várias revistas e publicações, editou quatro livros e participou em conferências em todo o mundo. Antes de sair do alkantara, conseguiu, depois de várias tentativas ao longo dos anos, assegurar novas instalações para a sede e as atividades da associação.
Em outubro de 2008, tornou-se diretor artístico do Teatro Maria Matos.  
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