Maria Matos Teatro Municipal
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Teatro Verde

 

A integração na rede IMAGINE 2020 reforça o trabalho que o Teatro Maria Matos tem vindo a desenvolver no contexto da transição para a sustentabilidade ecológica desde 2011. Refiramos, por exemplo, a conferência internacional Dois Graus – Arte, Alterações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável (2011), o ciclo de conferências sobre Transição (2013) e Mais Pra Menos Que Pra Mais (2014), um projeto iniciado por Vera Mantero e realizado em parceria com a Culturgest.

Também em 2011, o Teatro Maria Matos iniciou o programa Teatro Verde, um plano de implementação de práticas sustentáveis no quotidiano do Teatro, incluindo a reciclagem, a limitação drástica dos plásticos, a poupança de água, a redução do consumo energético e a preferência pelos fornecimentos locais ou nacionais.


Em 2011, o Teatro Maria Matos organizou a conferência internacional Dois Graus, sobre Arte, Alterações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável. As palestras de especialistas nacionais e internacionais na matéria provocaram no público presente e nos colaboradores do Teatro uma tomada de consciência sobre o papel do setor cultural no processo de transição para a sustentabilidade e forneceram as linhas gerais para um plano de implementação de práticas sustentáveis no quotidiano do Teatro. 

Não existem dados para Portugal, mas tomando como referência os teatros de Londres, sabemos que estes emitem anualmente 50 000 toneladas de CO², o equivalente às emissões anuais de cerca de 9 mil habitações. Lisboa não é Londres, porém os números dão uma ideia da importância do problema. Os dados estatísticos de Londres são também relevantes no que toca às origens das emissões, porque o primeiro passo para as reduzir é saber onde intervir.

  • Climatização e aquecimento dos auditórios 35%
  • Climatização e aquecimento das salas de ensaios 28%
  • Funcionamento escritórios (incl. climatização e aquecimento) 9%
  • Eletricidade palco 9%
  • Sistemas noturnos 6%
  • Pré-produção 5%
  • Materiais (cenários, figurinos,…) 5%
  • Iluminação exterior 2%

Com base nestes números e nas experiências partilhadas com organizações como a ArtsAdmin e a Julie’s Bicycle durante a conferência, delineámos as áreas prioritárias de intervenção no nosso Teatro.
Para ouvir na íntegra todas as palestras e workshops da conferência Dois Graus clique aqui.

Estabelecemos uma parceria com a Lisboa E-Nova, Agência Municipal de Energia e Ambiente, de forma a podermos organizar dados e monitorizar os consumos energéticos do Teatro. A Agência forneceu um diagnóstico preciso do consumo atual do Teatro; no futuro, a sua monitorização ajudar-nos-á a medir o impacto das medidas implementadas. Sabendo isto, decidimos implementar as seguintes medidas para otimizar a eficiência energética:

  • Limite de utilização do sistema de ar condicionado nas zonas públicas e nos escritórios 
  • Substituição progressiva das lâmpadas atuais por lâmpadas de baixo consumo e colocação de sensores de movimento para iluminação de alguns dos espaços públicos
  • Limite de temperatura e horário de carga de termoacumulador 
  • Colocação de uma interface na zona técnica para monitorizar os consumos no local

A eficiência energética do edifício passaria também pela utilização de fontes de energia renováveis e medidas de isolamento térmico, objetivos a concretizar necessariamente a médio e longo prazo.

Em relação aos resíduos, intensificámos as práticas de redução de consumos e reciclagem:

  • Consumo de água da torneira em substituição ao consumo de água engarrafada
  • Eliminação total de garrafas e copos de plástico
  • Reciclagem de papel, embalagens, tinteiros, equipamentos eletrónicos, madeira, etc.
  • Uso de papel e de plástico reciclado de produção nacional em todos os suportes gráficos e estacionário
  • Utilização de detergentes biodegradáveis
  • Configuração dos computadores para impressão de baixa qualidade e a preto e branco por defeito  
  • Redução de fluxo em todas as torneiras e revisão de sistema de temporização

A limitação das emissões com viagens e transportes é uma das medidas mais difíceis a implementar no contexto do trabalho realizado pelo Teatro Maria Matos, já que inclui não só as deslocações dos colaboradores do Teatro, mas também as viagens e transportes de artistas estrangeiros. Mesmo assim, há medidas concretas que já foram adotadas:

  • Utilização de transportes públicos para deslocações locais e nacionais, sempre que possível
  • Otimização das viagens de artistas estrangeiros através da programação em rede
  • Pagamento de taxa de carbono para as viagens internacionais dos colaboradores do Teatro
  • Aquisição de produtos de origem nacional e com a menor distância de fornecimento, sempre que possível
  • Utilização do serviço de estafeta em bicicleta para entregas urbanas

Um ponto essencial na transição do Teatro Maria Matos para a sustentabilidade passa pela consciencialização e consequente mudança de hábitos. Artistas e companhias convidados, bem como a própria equipa do Teatro, dispõem agora de um green rider, que reúne práticas simples, porém essenciais, para uma mudança transversal no modo como trabalhamos. Também em relação ao público, o Teatro Maria Matos propõe-se a desenvolver ações de sensibilização e incentivos ao uso de transportes públicos, da bicicleta e de outros meios de transporte suave.
A mudança de hábitos é tão importante como a implementação de soluções tecnológicas, mas leva tempo e só pode ser alcançado através de um esforço continuado e conjunto. A partir de agora, o Teatro Maria Matos vai-se tornando mais verde, passo a passo.

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